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Yamagata Dermatologia

Ultrassonografia dermatológica

Hidradenite supurativa: o papel do ultrassom no acompanhamento

Na hidradenite supurativa, parte das lesões fica escondida sob a pele. Entenda como o ultrassom dermatológico ajuda no diagnóstico e no acompanhamento, quais são as opções de tratamento e quando procurar avaliação.

Por Dra. Vivian Santos ·

Dra. Vivian Santos, de jaleco branco, faz anotações à mesa em seu consultório na Yamagata Dermatologia

Um caroço doloroso na axila ou na virilha pode parecer apenas um furúnculo. Ele melhora, drena, deixa uma marca e, semanas depois, outro aparece no mesmo lugar. Muitas pessoas passam anos nesse ciclo, tratando cada episódio como se fosse isolado.

Além da dor, a secreção e o odor podem gerar constrangimento e afastar a pessoa de atividades simples, como praticar esportes ou usar determinadas roupas. Entender que existe um diagnóstico para esse padrão é um passo importante para buscar o cuidado adequado.

A hidradenite supurativa é uma doença inflamatória crônica que causa nódulos dolorosos, abscessos e, com o tempo, túneis e cicatrizes sob a pele. O ultrassom dermatológico mostra lesões abaixo da superfície, auxilia na avaliação diagnóstica, ajuda a classificar a gravidade e a acompanhar o tratamento, sem radiação.

O que é a hidradenite supurativa

A hidradenite supurativa começa com a obstrução e a inflamação dos folículos em áreas de dobras. A ruptura do folículo sob a pele desencadeia uma inflamação intensa, que forma abscessos e túneis. Participam fatores genéticos, hormonais e imunológicos.

As áreas mais comuns são axilas, virilhas, região sob as mamas, nádegas e região genital. A doença costuma começar depois da puberdade. Não é contagiosa nem causada por falta de higiene. Essa informação merece ser repetida, porque muitas pessoas carregam uma culpa que não tem fundamento.

Como reconhecer

Os sinais mais comuns são:

  • Nódulos dolorosos, que lembram furúnculos e voltam no mesmo lugar.
  • Abscessos que se rompem e drenam secreção, às vezes com mau cheiro.
  • Túneis sob a pele, também chamados de fístulas, que ligam as lesões.
  • Cicatrizes em cordão nas áreas afetadas.

O diagnóstico é clínico, baseado no tipo de lesão, na localização e na repetição das crises. Em fases iniciais, porém, a doença pode ser confundida com furúnculos, cistos ou foliculite, o que atrasa o tratamento.

Por que usar o ultrassom

Na hidradenite, o que se vê na superfície nem sempre corresponde à extensão da doença. Uma área com um único nódulo aparente pode ter coleções e túneis abaixo da pele. O ultrassom dermatológico permite observar essas estruturas em tempo real, com sondas de alta frequência.

O exame pode contribuir em três momentos.

Diagnóstico

Em casos iniciais ou duvidosos, o ultrassom pode identificar alterações que reforçam a suspeita clínica e ajudar a distinguir a doença de outras lesões, sempre em conjunto com a consulta.

Estadiamento

Estadiamento é a classificação da gravidade. Mostrar o número, o tamanho e a localização de nódulos, coleções e túneis ajuda a definir o tratamento, porque a conduta para uma doença leve costuma ser diferente daquela indicada em uma doença extensa. O estadiamento ultrassonográfico complementa a avaliação clínica e não a substitui: a decisão sobre o tratamento considera sempre o exame feito em consulta.

Acompanhamento

Como não usa radiação, o exame pode ser repetido e comparado ao longo do tempo. Isso ajuda a avaliar a resposta ao tratamento clínico, aos imunobiológicos ou à cirurgia, além de complementar o relato de sintomas.

Como é o exame

O paciente fica deitado ou sentado, conforme a área examinada. A médica aplica um gel sobre a pele e desliza a sonda pela região, registrando imagens e medidas. O Doppler colorido, recurso do mesmo aparelho, avalia o fluxo de sangue, informação que ajuda a estimar a atividade inflamatória.

O exame dura de 30 a 60 minutos, conforme o número de áreas, e o resultado é entregue em um laudo com imagens. Em áreas inflamadas, a pressão da sonda pode causar leve desconforto. Avise a equipe durante o exame, inclusive se alguma posição for dolorosa.

Como as áreas afetadas são íntimas, é natural sentir algum constrangimento. O exame pode ser conversado com antecedência, e a exposição é limitada à região avaliada.

Limitações do exame

O ultrassom é uma ferramenta de apoio e tem limites:

  • Não substitui a consulta. Os achados precisam ser interpretados junto com a história e o exame clínico.
  • Não substitui a biópsia em lesões com aspecto incomum, porque o diagnóstico definitivo de um tumor depende do exame anatomopatológico.
  • A indicação depende da dúvida a ser respondida. Nem todo paciente precisa repetir o exame com a mesma frequência.

Como é o tratamento

O tratamento é definido conforme a gravidade e costuma combinar medicamentos e procedimentos.

  • Medicamentos tópicos e orais: antibióticos e outros medicamentos, conforme a gravidade.
  • Imunobiológicos: podem ser indicados na hidradenite moderada a grave.
  • Infiltração intralesional: em nódulos inflamados isolados.
  • Cirurgia dermatológica: drenagem ou retirada de túneis e áreas afetadas, quando indicado.

Drenar um abscesso pode aliviar a dor em uma crise, mas não trata a doença de base. Por isso, episódios repetidos pedem um plano contínuo, e não apenas cuidados pontuais.

Riscos e cuidados

Os tratamentos têm riscos próprios. Antibióticos podem causar efeitos gastrointestinais e outras reações, e são usados por tempo definido. Imunobiológicos exigem avaliação prévia e acompanhamento, porque podem aumentar o risco de infecções. A cirurgia tem riscos como sangramento, infecção e alterações na cicatrização.

Vários medicamentos têm restrições na gestação e na amamentação, e essa informação deve ser compartilhada com o médico logo no início. Evite espremer ou perfurar as lesões em casa, porque isso aumenta a dor e o risco de infecção.

Cuidados no dia a dia

Algumas medidas fazem parte do controle da doença:

  1. Parar de fumar. O tabagismo é um dos principais fatores de piora.
  2. Buscar peso saudável, com apoio profissional quando necessário.
  3. Usar roupas largas e de algodão, evitando atrito nas áreas afetadas.
  4. Não espremer as lesões.
  5. Manter o tratamento contínuo, mesmo entre as crises.

Calor e suor podem aumentar o desconforto em algumas pessoas. Curativos adequados ajudam a proteger a roupa e a pele quando há drenagem. O médico pode orientar quais materiais são mais apropriados.

Convivência com a doença

A hidradenite pode afetar o sono, o trabalho, a intimidade e a saúde emocional. Dor crônica e secreção não são detalhes, e devem ser levadas à consulta. Em muitos casos, o cuidado envolve mais de um profissional, de acordo com as necessidades de cada pessoa.

Pessoas com hidradenite podem ter outras condições associadas, que também merecem atenção médica. Informar sintomas como dores nas articulações ou alterações intestinais ajuda a compor uma avaliação mais completa.

Como se preparar para o exame

Em geral, não é preciso preparo específico. Evite cremes, óleos e desodorantes nas áreas que serão examinadas, se possível, e leve laudos e exames anteriores. Anote quando as crises começaram, quais áreas costumam ser afetadas e quais tratamentos já foram usados. Se houver lesão com drenagem, avise a equipe e use um curativo que facilite a retirada. Essas informações tornam o exame mais objetivo e ajudam a comparar a evolução ao longo do tratamento.

Levar fotos das crises também pode ajudar, porque as lesões variam bastante entre um período e outro.

Quando procurar o dermatologista

Procure o dermatologista quando surgirem nódulos dolorosos que se repetem nas axilas, nas virilhas ou nas nádegas, principalmente se houver drenagem, túneis ou cicatrizes. O tratamento precoce procura evitar a formação de túneis e cicatrizes. Febre, dor muito intensa ou vermelhidão que se espalha pedem avaliação rápida.

A página sobre hidradenite supurativa reúne mais informações. Na Yamagata Dermatologia, em Ipanema, a consulta com dermatologista define o tratamento e a necessidade de exames, de acordo com cada caso.

Dúvidas

Perguntas frequentes

Hidradenite é falta de higiene?

Não. A hidradenite é uma doença inflamatória, ligada a fatores genéticos, hormonais e imunológicos, e não tem relação com falta de higiene.

Hidradenite pega?

Não. A doença não é contagiosa.

Por que fazer ultrassom se o médico já vê as lesões?

O exame mostra nódulos, coleções e túneis sob a pele que nem sempre são visíveis no exame clínico. Isso ajuda no diagnóstico, na classificação da gravidade e no acompanhamento do tratamento.

O exame dói?

Não usa agulhas nem radiação. Em áreas inflamadas, a pressão da sonda pode causar desconforto leve. Avise a equipe durante o exame, para que a pressão possa ser ajustada.

Dra. Vivian Santos, médica dermatologista da Yamagata Dermatologia

Autora

Dra. Vivian Santos

MÉDICA: CRM-RJ 52.88185-6 · Dermatologista: RQE 44331

Todos os procedimentos são indicados e realizados após avaliação médica individual. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

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A consulta com um dermatologista da equipe define se o tratamento é indicado para o seu caso e qual o melhor plano.

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