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Yamagata Dermatologia

Dermatologia clínica

Acne na vida adulta: por que acontece e como é tratada

A acne pode continuar ou surgir depois da adolescência, principalmente em mulheres. Entenda as causas mais comuns, como é feita a avaliação, as opções de tratamento e os cuidados que ajudam a prevenir manchas.

Por Dr. João Paulo Yamagata ·

Dr. João Paulo Yamagata, de blazer escuro, sentado à mesa em seu consultório

Depois de passar a adolescência imaginando que as espinhas ficariam para trás, muitas pessoas se surpreendem ao vê-las aparecer aos 30 ou 40 anos. As lesões costumam surgir no queixo e na mandíbula, às vezes junto de manchas que demoram a clarear.

Além do incômodo físico, a acne adulta costuma gerar uma sensação de inadequação, como se a pele estivesse fora de época. Cremes para adolescentes, trocas frequentes de produtos e sabonetes agressivos são tentativas comuns e que, muitas vezes, pioram a irritação.

A acne adulta é a persistência ou o surgimento da acne depois da adolescência. É uma doença inflamatória crônica dos poros, mais frequente em mulheres, com influência hormonal e genética. Tem tratamento, escolhido conforme o tipo e a gravidade das lesões, e o cuidado precoce ajuda a prevenir manchas e cicatrizes.

Por que a acne aparece na vida adulta

A acne surge da combinação de quatro fatores: produção excessiva de sebo, estimulada pelos hormônios; obstrução dos poros por células mortas; proliferação da bactéria Cutibacterium acnes; e inflamação. Esses mecanismos são os mesmos da adolescência, mas o contexto costuma ser outro.

Entre os fatores que podem desencadear ou piorar o quadro estão:

  • Alterações hormonais, incluindo a síndrome dos ovários policísticos.
  • Predisposição genética.
  • Uso de corticoides e anabolizantes.
  • Cosméticos e maquiagens oleosos.
  • Estresse.

Alguns estudos também associam a piora a dietas com alto índice glicêmico e ao consumo de leite e de suplementos de whey protein em algumas pessoas. Essa influência varia bastante. Não há uma dieta que sirva para todos, e restrições severas não são necessárias sem orientação.

Como reconhecer

A acne aparece em áreas com muitas glândulas sebáceas, como o rosto, o peito e as costas. Na vida adulta, principalmente em mulheres, as lesões tendem a se concentrar no queixo e na mandíbula e podem piorar em determinadas fases do ciclo menstrual.

As lesões variam conforme a gravidade. Podem ser cravos abertos e fechados, espinhas vermelhas e com pus e, nas formas mais graves, nódulos e cistos dolorosos. Manchas e cicatrizes podem permanecer depois que as lesões somem.

Nem toda espinha no rosto é acne. A rosácea, por exemplo, também causa espinhas, mas sem cravos e com vermelhidão e sensibilidade. Como o tratamento é diferente, o diagnóstico correto faz diferença.

Como é a avaliação na consulta

O diagnóstico é clínico, feito no exame da pele. O dermatologista classifica o tipo e a gravidade da acne e pergunta sobre o ciclo menstrual, os medicamentos e suplementos em uso, os produtos aplicados na pele e os tratamentos já tentados.

Quando há sinais de alteração hormonal, como menstruação irregular ou excesso de pelos, exames de sangue podem ser solicitados. Em alguns casos, a avaliação é compartilhada com o ginecologista ou o endocrinologista.

Como é o tratamento

O tratamento é escolhido conforme a gravidade e o tipo de lesão e costuma levar algumas semanas para mostrar resultado. Trocar de produto a cada poucos dias dificulta a avaliação do que está funcionando.

Tratamento tópico

Retinoides, peróxido de benzoíla, antibióticos tópicos e outros ativos são aplicados na pele, conforme o tipo de acne. Alguns causam ressecamento e irritação no início, por isso a forma de uso precisa ser orientada.

Medicamentos orais

Nos casos moderados a graves, podem ser indicados antibióticos, tratamento hormonal ou isotretinoína. A isotretinoína é usada com acompanhamento médico e exames periódicos e é contraindicada na gestação. Mulheres em idade fértil precisam de orientação específica sobre contracepção durante o uso.

Procedimentos de consultório

Alguns procedimentos podem complementar o tratamento clínico. Entre eles estão o peeling químico, para o controle da oleosidade e dos cravos; a limpeza de pele, para a extração de cravos na fase não inflamada; e a infiltração intralesional, em nódulos e cistos inflamados e dolorosos.

Riscos e cuidados

Todo tratamento tem efeitos possíveis. Os ativos tópicos podem causar vermelhidão, descamação e sensibilidade ao sol. Os medicamentos orais têm efeitos próprios, que variam conforme o remédio, e não devem ser usados sem prescrição. Antibióticos, por exemplo, são usados por tempo limitado, e a isotretinoína exige monitoramento.

Alguns ativos e medicamentos não podem ser usados na gestação e na amamentação. Avise o dermatologista se estiver grávida, amamentando ou planejando engravidar. Cremes manipulados ou receitas caseiras, sem orientação, também podem irritar a pele e piorar a inflamação.

Cuidados no dia a dia

Algumas medidas simples ajudam a manter a pele estável durante e depois do tratamento:

  1. Lavar o rosto com sabonete adequado para pele oleosa, sem esfregar.
  2. Usar hidratante e protetor solar livres de óleo, com indicação não comedogênica no rótulo.
  3. Não espremer as lesões.
  4. Remover a maquiagem antes de dormir e escolher produtos não comedogênicos.
  5. Manter o tratamento de manutenção indicado, mesmo depois da melhora.

A proteção solar merece atenção especial. O sol pode escurecer as manchas deixadas pelas lesões, e alguns tratamentos aumentam a sensibilidade da pele.

O que esperar do tratamento

A acne costuma melhorar aos poucos, e a expectativa influencia muito a adesão. Nas primeiras semanas, é comum que a pele fique mais seca ou sensível, e novas lesões ainda podem aparecer. Isso não significa, necessariamente, que o tratamento falhou. Por outro lado, ardor intenso, descamação importante ou piora persistente merecem contato com o médico, para ajustar a forma de uso.

A resposta varia de pessoa para pessoa e depende do tipo de lesão, da regularidade e dos fatores envolvidos. Interromper o tratamento assim que a pele melhora é um motivo frequente de volta das lesões. Por ser uma doença crônica, a acne pode exigir uma fase de manutenção, com produtos e duração definidos em consulta.

Fazer fotos da pele em condições parecidas de luz, com a orientação do médico, pode ajudar a perceber mudanças graduais, que passam despercebidas no espelho do dia a dia.

Acne e planejamento de gravidez

Quem pretende engravidar deve contar isso ao dermatologista logo no início, porque parte dos medicamentos usados na acne é contraindicada na gestação. O planejamento permite escolher opções adequadas para cada fase. Se a gravidez for descoberta durante o tratamento, o médico deve ser avisado imediatamente, antes de continuar qualquer medicamento.

Manchas e cicatrizes

As marcas deixadas pela acne são uma preocupação frequente e merecem uma conversa separada. Manchas tendem a clarear com o tempo e com o tratamento adequado, enquanto as cicatrizes com depressão ou relevo costumam exigir procedimentos específicos. O primeiro passo é controlar a doença, já que novas lesões podem formar novas marcas. A página sobre cicatrizes de acne explica as opções disponíveis.

Acne e maquiagem

Não é preciso abandonar a maquiagem durante o tratamento. Prefira produtos com indicação não comedogênica, limpe os pincéis com frequência e remova tudo antes de dormir. Se uma lesão piorar depois de um produto novo, suspenda o uso e comente na consulta.

Quando procurar o dermatologista

Procure o dermatologista quando a acne não melhora com cuidados simples, quando há nódulos, cistos ou dor, quando surgem manchas ou cicatrizes, ou quando a acne afeta a autoestima. Menstruação irregular, aumento de pelos ou queda de cabelo associados também merecem investigação.

A página sobre acne traz mais informações sobre a doença. Na Yamagata Dermatologia, em Ipanema, a avaliação é feita em consulta com dermatologista, que define o plano de tratamento de acordo com cada caso.

Dúvidas

Perguntas frequentes

Por que tenho acne depois dos 30 anos?

A acne pode continuar ou surgir na vida adulta, principalmente em mulheres, com lesões no queixo e na mandíbula ligadas a fatores hormonais. Genética, alguns medicamentos, cosméticos oleosos e estresse também podem contribuir.

Alimentação influencia a acne?

Alguns estudos associam a piora a dietas com alto índice glicêmico e ao consumo de leite e suplementos de whey protein em algumas pessoas. A influência varia de pessoa para pessoa.

Posso espremer as espinhas?

Não é recomendado. Espremer aumenta a inflamação e o risco de manchas, infecção e cicatrizes.

A isotretinoína é indicada para adultos?

Pode ser, em casos moderados a graves, com acompanhamento médico e exames periódicos. É contraindicada na gestação, e a indicação depende de avaliação individual.

Dr. João Paulo Yamagata, médico dermatologista · diretor técnico da Yamagata Dermatologia

Autor

Dr. João Paulo Yamagata

MÉDICO: CRM-RJ 52.95951-0 · Dermatologista: RQE 26369

Todos os procedimentos são indicados e realizados após avaliação médica individual. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

Agende uma consulta

A consulta com um dermatologista da equipe define se o tratamento é indicado para o seu caso e qual o melhor plano.

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